segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

“Long Bolt” and “Short Bolt”– Riscos de Falha e Segurança
O Instituto Americano de Engenheiros Químicos disponibiliza em seu portal www.aiche.org.br, artigos do Centro de Segurança de Processos Químicos (CCPS), lá poderão ser encontrados artigos muito úteis sobre “boas práticas” a serem adotadas em Plantas de óleo, gás, química e petroquímica, sempre com exemplos de falhas ocorridas pelo mundo, e em dezenas de línguas, incluindo o português.
Irei utilizar desta fonte valiosa para estar colocando alertas sobre práticas de Engenharia que devem ser seguidas para evitar falhas e acidentes. E sempre que possível complementando e comentado o artigo. Parte do texto que apresento abaixo, vem do artigo publicado pela CCPS em abril de 2010 com o título “Proteção contra incêndio – válvulas sem flanges com parafusos longos”, ao qual complemento com o inverso sobre parafusos curtos ou “short bolts”.
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Long Bolt – Proteção contra incêndio
Você reconheceria a cobertura metálica (seta amarela) mostrada na figura 1 como um importante equipamento de segurança?
Se ela estivesse danificada ou mesmo faltando, você reportaria esse fato para que pudesse ser reparada ou substituída?

A cobertura de metal envolve um equipamento denominado “válvula sem flanges com parafusos longos” ou válvula de parafusos longos, válvula tipo sanduiche, válvulas sem flanges ou tipo “wafer”.


Essas válvulas não possuem flanges integrados para conexão com flanges da tubulação ou com os flanges de vasos de processo, e tem parafusos expostos maiores do que as válvulas com extremidades flangeadas.

Se houver um incêndio nas proximidades, esses parafusos longos poderiam ficar em contato direto com as chamas. O calor das chamas faria com que os parafusos se dilatassem e se alongassem, permitindo o vazamento pelas juntas de ambos os lados da válvula. Se o produto que vazar for inflamável ou combustível, ele acrescentará mais combustível ao incêndio (figura 4). Se a tubulação estiver pressurizada, um grande jato de fogo causará danos ainda maiores.

O Que Você pode fazer?

        I.            Se você tiver válvulas com parafusos longos em tubulações que contenham material combustível, inflamável ou operem com GLP, certifique-se que as coberturas metálicas dessas válvulas estejam sempre em boas condições.
      II.            Uma cobertura metálica de uma válvula com parafusos longos pode esconder uma corrosão ou outro tipo de dano na válvula. As coberturas devem ser removidas periodicamente para inspeção de flanges e válvulas e imediatamente recolocadas após a inspeção.
    III.            A proteção passiva contra incêndio nesse tipo de válvula estará dimensionada para um incêndio de curta duração, uma solução de projeto inerentemente mais seguro seria a substituição desse tipo de válvula por uma com flanges.
Short Bolt – Segurança contra Vazamento
Os parafusos em conexões flangeadas devem apresentar no mínimo 1 fio de rosca após o engajamento com a porca e não mais do que a metade do comprimento da porca.
Esta recomendação é uma “boa prática” de montagem, comum em unidades industriais, com vistas a permitir uma rápida inspeção visual do engajamento total da porca no parafuso. Evita-se assim, “subcomprimentos” que podem limitar a resistência mecânica do parafusamento da conexão flangeada. 

O ASME B31.3 em seu parágrafo 335.2.3 “Bolt Length” (comprimento do parafuso) recomenda que os parafusos se estendam completamente através das porcas. E que o “engajamento” aceitável para o caso de uma falha é de não mais do que uma rosca não engajada.



O Que Você pode fazer?

No aperto, as porcas devem ficar, no mínimo, completamente roscadas no corpo do parafuso (engajada) ou estojo. Quando se tratar de estojo, as porcas devem ficar preferencialmente a igual distância das extremidades, deixando passar, para cada lado, pelo menos no mínimo um fio de rosca e máximo de 3 fios (sendo este o valor padrão). Os parafusos já apertados devem ser identificados durante a montagem final (pinta a face exposta).

Deixar fios roscas em excesso além da porca (> 3 fios) pode provocar acidentes em locais em que haja passagens de equipes de operação e manutenção (fardamento pode ficar preso em uma situação de escape), além do maior custo envolvido. Deixar apenas um fio exposto, além da porca, dificulta a inspeção visual do engajamento total na porca. Por isto, procurasse recomendar 3 fios de rosca além da porca como uma “boa prática universal”.  

domingo, 18 de novembro de 2012

O QUE SÃO OS PIPELINE PIGs?

Um pig é uma ferramenta que se move através de um duto (pipeline) com a proposta de inspeção, dimensionamento ou limpeza. Pigs geralmente são divididos em duas categorias: pigs de utilidade (utility pigs) e pigs inteligentes (smart pigs ou ferramentas de inspeção in-line – ILI tools como definido pela NACE).
Este termo “pig” até hoje não tem sua origem claramente definida, há citações que definem como sendo Pipeline Instrumented Gauging ou Pipeline Inspection Gauge, outras que é devido ao ruído que alguns pigs causam quando viajam pelo duto, similar a um porco sendo estripado. Existem regiões da América que o mesmo é apelidado de demônio pelo barulho que faz quando passa.
Os pigs são aplicados nas diversas fases do ciclo de vida do duto:
Durante a construção
·       Remoção de detritos da obra
·        Teste de pressão (secagem, ventagem, etc)
·         Comissionamento
Durante a operação
·        Limpeza interna
·        Remoção de condensado
·        Aplicação de inibidores
 Para Inspeção
·    Para checar danos físicos (geometria)
·    Para detectar corrosão, laminações e trincas
·     Detectar vazamentos
·      Realizar amostragem
 Para Manutenção Geral e reparo
·    Inibição de corrosão
·    Limpeza de pré-inspeção
·    Isolação
·    Recomissionamento
Durante renovação/rehabilitação
·   Aplicando revestimento interno
·    Limpeza química
·   Remoção de carepas
Descomissionamento
·   Remoção de produto
·    Limpeza interna
·    Inspeção/teste
·   Inertização

Pigs de utilidade
Pigs de espuma são leves e podem inicialmente se aplicado em um duto para verificar o diâmetro interno efetivo do duto ou mesmo para limpeza e secagem do duto, antes de passar outros pigs como os pigs inteligentes. Os pigs de espuma tem geralmente o formato de uma bala, com núcleo feito de poliuretano, com uma capa de tiras de carbeto de silício ou materiais similares. 
Pigs tipo Mandril com copos de condução, raspadores, escovas metálicas são tipicamente propelidos a ar comprimidos, executado em várias passagens para a limpeza de carepas e remoção de detritos. As escovas podem ser magnetizadas para facilitar a coleta dos detritos metálicos. O diâmetro e a rigidez do pig pode ser aumentado para obter uma melhor limpeza. Algumas vezes, finas e flexíveis escovas metálicas são utilizadas para garantir a limpeza de passagens estreitas. A velocidade de condução é definida pela pressão diferencial através do pig, que pode ser controlada por portas de by-pass instaladas nos “copos de condução” que são os componentes que garantem a vedação entre as seções do corpo de um pig 
Pigs de medição, são tipicamente feitos com chapa de alumínio, são utilizados após remoção dos detritos para verificar que não há obstrução ou significante ovalidade no duto. Eles podem ser equipados com registradores de impacto para gravar a posição ao longo do tubo em que as placas tem sido impactadas por uma obstrução. Além destes existem pigs para ventagem, utilizados antes de realizar o teste hidrostático com objetivo de expulsar o ar. Pigs de secagem que após o teste hidrostático são utilizados para secar a tubulação.

Pigs Inteligente (ILI)
Pigs de Fluxo-Magnético foram inicialmente utilizados na década de 60. A escova de magnetos aplica um campo magnético longitudinal na parede do tubo, os sensores detectam mudanças no campo magnético causado pelas mudanças na espessura de parede. A ferramenta pode dimensionar o comprimento e a profundidade da perda de massa. Uma alta resolução pode ser obtida com o aumento da quantidade de magnetos e de sensores. Os sensores podem discriminar entre perda de espessura no diâmetro interno e externo até 10% da espessura de parede, e com até 80% de confiança. Este tipo de pig viaja por volta de 2 m/s ou 7,2 km/h.
O pig ultrassonico é o mais avançado e caro método de inspeção, capaz de detectar pequenos alvéolos de corrosão (<0,1” diâmetro, e com perda de parede < 10%), trincas (induzida pelo hidrogênio, corrosão sob-tensão, e trincas em soldas), laminações, e outros vários defeitos de fabricação. Requer um diâmetro interno muito limpo e um acoplante entre os transdutores e a parede do tubo. A velocidade de viagem é em torno de 1 m/s ou 3,6 km/h.
Recomendo ver os seguintes videos no youtube para ver um ILI de fluxo-magnetico em funcionamento.

Vou postanto depois mais detalhes sobre PIGs.

sábado, 20 de outubro de 2012

A História das Válvulas
Desde os tempos antigos, os homens sabiam como regular e controlar a água, com pedras ou galhos e troncos das árvores. Egípcios, gregos e outras culturas foram capazes de conduzir a água de rios e mananciais para uso público ou na irrigação. Os romanos foram os grandes desenvolvedores de sistemas de canais, eles traziam água de fontes e rios para as aldeias, às vezes em longas distâncias, a salvo de obstáculos por meio de aquedutos.As válvulas eram do tipo "macho" ou "torneira (cock)", feitas em bronze, sendo que hoje a especificação mais comum é o ASTM B-67. Era rico em chumbo, anti-corrosivo, dúctil, capaz de ser soldado aos tubos de bronze ou chumbo daquela época, ver imagem acima.

As partes da válvula eram praticamente: o corpo, o macho vazado, uma tampa inferior e uma alavanca para girar o macho. Por vezes, nos sítios arqueologicos, foi verificado que um pino era forçado com um martelo para dentro da válvula, e, em seguida, o macho podia girar mas não ser removido. Essa parecia ser uma prática generalizada (manutenção) nos momentos em que necessitava-se destravar o macho, pois alguns buracos foram encontrados na entrada das válvulas.
Em várias cidades do Mediterrâneo foram encontradas pequenas válvulas, todos tinham desenho semelhante, como em Rabat, Djemila, Istambul, Avarches, Augusta (onde também foi encontrado válvulas borboletas) e Nápoles (os machos eram cilindricos).Os romanos utilizavam também uma válvula diafragma primitiva, feita de couro cru que foi fechada manualmente ao longo de um açude, para controlar o fluxo e temperatura do banho de água doméstico.

Há também evidência de o uso de válvulas angulares, válvulas de mistura e também válvulas de retenção para evitar o refluxo.

 
Durante a Idade Média não houve qualquer progresso importante. Foi durante o Renascimento, quando a construção de canais, sistemas de irrigação e outras obras hidráulicas incluíam válvulas mais sofisticadas. Leonardo Da Vinci também deixou boas amostras em seus esboços, como pode ser visto na figura acima.

A história moderna da indústria das válvulas começa com a Revolução Industrial. Em 1705, Thomas Newcomen inventou a máquina a vapor em primeiro lugar, e depois precisou de válvulas capazes de manter e regular o vapor a alta pressão. Os novos inventores, como James Watt, que criaram novas máquinas também melhoraram o projeto das válvulas, mas foi muitos anos mais tarde, quando a produção de válvulas chegou a grande escala, independentemente dos projetos específicos.http://www.valvias.com/history.php

A primeira postagem

Como minha primeira postagem, coloco uma pintura singular que mostra a construção de dutos pelos Engenheiros do "Serviço de Dutos Militares" na 2a guerra mundial em pleno território Francês, com objetivo de levar combustível para suas bases de apoio. Observem os detalhes das válvulas gavetas instaladas!
O autor é Harry Dix e esta disponível no site de história da guerra: http://www.history.army.mil/art/A&I/Pipeline.htm
//www.history.army.mil/art/A&I/Pipeline.htm